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Num sistema de administração em que predomina a falta de sinceridade e de luz, afirmei, desde a primeira hora, que se impunha uma “política de verdade”.
Salazar (Discursos, volume 1º , pág. 23)
Diplomacia portuguesa. Questões da política externa. Razões de estado. Relações internacionais.
Permita-me que o cumprimente e saúde o seu regresso. Permita-me também que o corrija relativamente ao ex-Vice Presidente e líder da oposição congolesa Jean-Pierre Bemba. Portugal não concedeu asilo político a J.P. Bemba, nem sequer o mesmo lhe foi solicitado. Sequer o visto Schengen de que era portador. Bemba residiu em Portugal, após os incidentes ocorridos em Kinshasa, nos idos de 2007, dado que sua mulher tem nacionalidade portuguesa além de possuírem uma residência no Algarve, há já vários anos.
J. F.
Ainda bem que as Notas recomeçaram. Pelo que presumo saber, haja saúde! (...) Aproveito para pedir a lembrança diária dos aniversários dos colegas diplomatas, uma rotina que as Notas abandonaram e que eu particularmente apreciava.
Maurice Galego, m-p

A propósito da aplicação do SIADAP, Jorge Mata, vai directo ao assunto: Ao contrário da retórica política e do dialecto diplomático, o direito dá-se mal com o discurso redondo, as frases feitas, as fórmulas esteriotipadas, as conclusões genéricas e abstractas. O que o direito é e precisa é de factos, de fundamentação e de normas. Para isso, é necessário descer da torre de marfim, sair da caverna platónica e entrar, sem medo, no condomínio da vida real. Aí, onde a verdade não admite escape e somos obrigados a justificar, face à lei, as nossas decisões. Dá trabalho, exige dedicação, seriedade e competência, mas a administração pública não tem alternativa. O MNE e os seus agentes ainda não perceberam que o direito administrativo não é diplomacia.A três meses das eleições, também em matéria de negócios estrangeiros não há tempo para ninguém: nem o PS tem tempo para corrigir grande coisa, nem o PSD para colmatar essa pequena coisa da "alternativa".
No MNE não houve a reforma que muita gente esperava, houve meras reformulações aqui e ali meras aplicações de formulários. Não chega a ser desilusão (nem sequer para o PSD...) mas foi uma ilusão como acontece quando a diplomacia é apenas bem comportada.
Não foi tempo perdido, foi tempo deperdiçado.

"O líder da ASDP é muito ousado. Eu bem sei que os diplomatas têm esse privilégio (e Sócrates queria acabar com os privilégios...) no respectivo estatuto, mas o Público não sabe que os funcionários públicos são obrigatoriamente inscritos na ADSE, a qual paga 50% das despesas no estrangeiro (ou emite a credencial E106 no EEE). E a MUDIP, senhor, a MUDIP? Bem pior estão as dezenas de trabalhadores nos serviços externos que não beneficiam de qualquer protecção na saúde.
Li essa do sindicato ser recebido pela Comissão de Negócios Estrangeiros. Mas o sindicato é recebido como? Em sessão? Em audiência? Ou é conversa deles?
Uma placa recente em frente ao portão do Consulado em S. Paulo avisa que o "estacionamento" custa R$ 15,00 Reais, preço único. É uma empresa de parking que está a prestar o serviço, dentro da área do Consulado. Em que rubrica é que isto será contabilizado?
Segundo o MNE, a adesão à greve do dia 4 foi de 30 por cento.
Segundo o sindicato, não foi bem isso o que aconteceu…
O que está em causaSegundo o MNE não terá estado nem estará nada em causa...
Segundo o sindicato, a questão estatutária foi a razão principal para a greve. O sindicato não aceita que os funcionários dos serviços externos do MNE "sejam colocados à porta da função pública e remetidos para regimes locais", regimes estes que o MNE não conhece - em muitos casos, correspondem a regimes que negam os princípios de um Estado democrático de direito ou, mesmo que assim não seja, constituem os mínimos legais, localmente melhorados pelos contratos colectivos de trabalho de que os funcionários não beneficiam.
Quanto aos centros culturais, o sindicato adverte que se o estatuto profissional dos funcionários dos centros for publicado, entrando em vigor, não deixará de procurar a sua não ratificação parlamentar, a impugnação judicial e o rigoroso cumprimento "dos insuficientes direitos aí consagrados".
E então, correu por aí ontem que "Questionado pelo PÚBLICO, José Lello confirmou que António Montenegro foi seu chefe de gabinete" e que "Lello explicou ao PÚBLICO que António Montenegro assumiu funções de chefe de gabinete no segundo Governo de António Guterres, quando o seu anterior chefe de gabinete, durante o primeiro governo (1995-1999), foi colocado num posto diplomático. Então António Montenegro foi para o seu gabinete, vindo do lugar de cônsul-geral de Portugal em Toronto". O MNE custa a perceber que, se não actuar a tempo e horas (preventiva e correctivamente), depois da Justiça será a Diplomacia a ser definitivamente posta em causa?
Quanto maior a distracção do ministro com os favores, mais carbono o ministério lança para a atmosfera.
Um mentiroso compulsivo movimenta-se nos meios diplomáticos como peixe na água sobretudo se é o ministro que o põe na água ainda que a água não seja a do ministro.
Quando um diplomata se escapule como um safio é porque tentam apanhá-lo à mão.
Lemos umas declarações sobre a eventualidade de "nomeações políticas" para funções normalmente exercidas por quem está e segue na carreira diplomática. Naturalmente que a carreira não devia ser, como tem sido, um condomínio fechado, um reduto corporativo de gente que se julga eleita e que faz desse privilégio uma moeda de troca entre imunidade e impunidade. Mas, enfim, aceita-se que o estado ao investir na formação de um diplomata (feitas as contas, não investe pouco) espere desse funcionário especial rigor, competência e conduta exemplar em função daquelas tais virtudes exigíveis para a imagem e credibilidade expeterior do mesmo estado. Daí que todas as nomeações, mesmo dentro da carreira, acabem por ser "políticas" quando são relevadas para segundo plano as conveniências pessoais dos funcionários, conveniências tais que, nem uma vez nem duas porque às vezes ditam a regra, movem o êmbolo do tráfico de influências, das pressões de grupo e das cumplicidades das famílias políticas.
Possivelmente já do testamento de Bartholomeu Lourenço de Gusmão: «Passarola que se eleva com os vapores quentes do eu, eleva-se mas cai».